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sábado, 30 de abril de 2011

Por que morrem tantos motociclistas?

 

Resposta: Morrem porque querem.

por Geraldo Tite Simões

De uns tempos para cá me transformei naquilo que os jornalistas chamam de “fonte”, um sujeito que tem as respostas para determinadas perguntas. Minha especialidade com segurança de motociclistas se tornou uma fonte para colegas da imprensa.

Dias atrás recebi a ligação de uma jornalista de um grande veículo de comunicação (prefiro omitir nomes). A pergunta veio em uma semana dramática para os paulistanos, porque foram dois acidentes fatais por dia, engrossando as estatísticas macabras. Ela perguntou algo como:

— Por que morrem tantos motociclistas?

Antes de responder, pensei naquelas centenas de vezes que discursei sobre a educação de trânsito, fiscalização, faixas segregadas, falta de formação, baixo nível de escolaridade das vítimas, etc., etc. e mais etc.! Só que me cansei de divagar sobre esse assunto e dei a resposta que sempre quis, mas nunca tive coragem:

— Morrem porque querem!

Diante do susto natural da jornalista, repeti a resposta e ela reforçou que seria uma matéria publicada, se eu não queria rever a resposta. Respondi que não, que poderia deixar inclusive entre parênteses, citando meu nome como fonte.

Bom, a matéria saiu sem minha declaração... porque a coragem que tive para assumir aquilo que autoridades tentam disfarçar, a colega não teve para publicar. Assim, as argumentações foram todas aquelas que todo mundo sabe na ponta da língua, mas que são todas um enorme disfarce para a mais óbvia das realidades: esses motociclistas morrem porque querem — e ponto final.

Claro que há os acidentes, que devem ser classificados como tal quando nenhum dos agentes envolvidos teve a intenção de provocá-lo. Mas acidentes são raros em São Paulo. O mais comum é a mais elementar das causas: a negligência, associada à prepotência, atributos de personalidade que imperam nos motociclistas da capital paulista. Se há negligência, está clara a intenção por trás da ação.

Ah, mas o motorista mudou de faixa sem olhar! Sim, mas o motociclista estava rodando a 90 km/h no corredor de carros quase parados, com uma moto sem freios, com pneus carecas, e usava um capacete desafivelado. Isso pode ser caracterizado como acidente? O choque talvez, mas a consequência não! O óbito terá sido causado por pura negligência.

Diariamente eu levo fechadas de motoristas nas mais criativas variações. Tem fechada pela esquerda, pela direita e até dos dois lados ao mesmo tempo. Só que rodo a uma velocidade compatível com os outros veículos, minha moto tem freios eficientes e pneus novos. Porque eu não quero me matar.

Non ducor, duco

O lema da cidade de São Paulo expressa uma atitude tão típica de motociclistas e motoristas paulistanos que soa como profecia: não sou conduzido, conduzo! Ninguém me diz onde, nem como devo conduzir, mas conduzo à minha maneira, sem regras, sem sensatez, nem ordem. Minha lei é meu umbigo!

São raríssimos os casos — mas bota raro nisso, tipo que precisa de lente de aumento para encontrar — em que a vítima fatal de um acidente de moto foi totalmente inocente. Casos como linha de pipa com cerol, caminhão sem freio na descida, bêbado que fura o semáforo são raros, mas adquirem muito destaque pelo dolo envolvido.

Só que acidentes fatais que são contabilizados — e que vejo, porque estou diariamente nas ruas — são provocados por absoluta negligência dos motociclistas. Daí meu desabafo do “morrem porque querem!”. Porque querem rodar no corredor a 90 km/h. Porque querem rodar com pneu careca. Porque querem usar um capacete de R$ 50 e, pior, desafivelado. Porque querem rodar na calçada a 50 km/h. Porque querem pular o canteiro central de uma grande avenida.

Resumindo, morrem porque querem!

Soma-se essa conduta ao triste fato de as vítimas fatais se encontrarem, na maioria, entre 18 e 25 anos e temos mais uma trágica coincidência estatística. A adolescência, período que vai dos 12 aos 18 anos, tem como característica a prepotência, comportamento que faz o indivíduo acreditar que as coisas ruins só acontecem com os outros. Como a maioria das vítimas é do sexo masculino e a adolescência do homem costuma se prolongar — até os 25 anos ou mesmo mais, segundo as mulheres —, isso explica boa parte dessas vítimas.

Basta conferir qual a idade de alistamento militar para entender como o Estado pode aproveitar a prepotência a seu favor. Na faixa dos 18 aos 25 anos, o soldado vai para o front achando que nada de ruim vai acontecer com ele, até um projétil .50 atravessar sua cabeça. Portanto, temos a fórmula ideal para que tudo de errado dê certo: sensação de prepotência + negligência = morte súbita!

Ou seja, morrem porque querem!

E querem saber? Não vejo a menor chance para tal situação melhorar. Pelo contrário, a tendência é piorar com a entrada cada vez maior de novos motociclistas. Mas também não pensem que o problema é limitado aos motoboys ou fretistas.

É bom esclarecer que existem os motoboys e existe o comportamento motoboy — o que os especialistas chamam de arquétipo, uma repetição do mesmo comportamento. Há donos de motos esportivas ou luxuosas, caríssimas, que agem da mesma forma que o típico motoboy — e que, depois de um acidente fatal, é transformado em vítima. Os rachas na estrada, os atalhos pela calçada, a alta velocidade nos corredores mostram que os “playboys” também morrem porque querem.

Responda sinceramente: se fosse chamado pelas forças armadas para defender seu país no front de batalha, de fuzil na mão, você iria? Eu não! Não quero morrer tão cedo nem entrar no fogo cruzado. Por isso não existe exército de soldados quarentões — a gente sabe que as coisas ruins também acontecem conosco.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Maria Bethânia - "Ela e Eu" (TV Manchete, 1984)

 

No "Bar Academia" sobre Caetano Veloso, a irmã Maria Bethânia apareceu neste musical cantando ao vivo "Ela e Eu", sob o arranjo de Perinho Albuquerque gravado para seu LP "Mel", lançado em 79.
Foi ao ar em 1984, pela TV Manchete, com direção de Maurício Sherman.

FONTE: YouTube do Puga

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Paulo Gracindo - "8 ou 800?" (TV Globo, 1976)

 

Paulo Gracindo foi um dos maiores artistas brasileiros.
Em 1976, depois de se consagrar na Rádio Nacional dos anos 50 como apresentador e radioator e de viver em telenovelas da TV Globo tipos antológicos que lhe renderam ainda mais prestígio de público e crítica, ele foi comandar o jogo "8 ou 800?", que ficou cerca de um ano no ar.

Nada mais era do que o antigo "O Céu é o Limite", criado praticamente junto com a própria televisão, e que já havia passado com tantos títulos diferentes pelas mãos de J. Silvestre e Aurélio Campos e ainda viria (virá...) a ser reeditado muitas vezes nos anos seguintes.

Mas, nesse vídeo em que a candidata Marisia Portinari, em sua final, respondia sobre Honoré de Balzac em busca de valiosos CR$ 500 mil, podemos ver com clareza a brilhante atuação de Paulo Gracindo como comunicador. É uma aula de dinâmica, locução, concentração e domínio de sua função.

"8 ou 800?" era transmitido ao vivo do Rio de Janeiro, com direção geral de Carlos Alberto Loffler e escrito por Walter George Durst e Túlio de Lemos. Neste programa, que foi ao ar em 30/09/76, um domingo, antes do "Fantástico", Silvia Bandeira aparece como assistente de Gracindo. Há um corte no final do material original do vídeo que foi mantido nesta transcrição.

FONTE: YouTube do Puga

domingo, 24 de abril de 2011

Tigres de Bengala – O álbum

 

 

Álbum do cantor Ritchie com a banda Tigres de bengala em 1993.

Tigres de Bengala produziu apenas um disco, mas entraram para a história da música pop brasileira, deixando saudades nos fãs.  Depois de dezoito anos o álbum permanece atual, mesmo com uma sonoridade peculiar dos anos 90. Oprojeto reuniu músicos consagrados na época: Ritchie, Cláudio Zoli, Vinícius Cantuária, Dadi e Mú (A Cor do Som), além de Billi Forghieri.

 

Faixas

  1. Elefante Branco
  2. Agora ou Jamais
  3. Não Desista
  4. Só Eu e Mais Ninguém
  5. Miragens Maria Alice
  6. Nessa Espera
  7. Estrela do Mar
  8. Arrastão (Ao Teu Lado)
  9. Melhor Parar
  10. Faixa Bonus - Dani

Ficha Técnica do disco

Vinícius Cantuária
Voz, Violões, Percussão

Claudio Zoli
Voz, Guitarras, Violão

Ritchie
Voz, Computer, Flauta

Dadi
Voz, Baixos, Guitarras, Violões

Mu
Teclados, Vocal

Billi Forghieri
Teclados, Computer

Marcelo Costa
Bateria, Percussão

Milton Guedes
Sax, Gaita

Mingo
Percussão

Mayrton Bahia
Produtor

Tigres de Bengala
Arranjos

Eduardo Costa, Geraldo Tavares
Técnicos de Gravação

Jorge "Gordo" Guimarães, Marcos Saboia
Técnicos de Mixagem

Mauricio Valladares
Fotos

Ricardo Leite, Karyn Mathuiy
Projeto Gráfico

FONTES: Wikipedia e You Tube

sábado, 23 de abril de 2011

Ivan Lins e Tim Maia - "Formigueiro" (TV Globo, 1984)

 

Em 1984, Ivan Lins lançou o LP "Juntos", recheado de duetos celebrando os 10 anos de parceirias com Vitor Martins. O disco virou especial na TV Globo, sob a direção de João Paulo Carvalho e Maurício Tavares.
Um dos convidados do disco, Tim Maia, apareceu no programa em um musical da faixa "Formigueiro", que ele havia gravado no álbum.


"Juntos" foi ao ar em 23/12/84.

FONTE: YouTube do Puga

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Como será o futuro de acordo com o Google?

 

Equipe do site xkcd reuniu os resultados de buscas para todos os anos até 2101 e criou uma linha do tempo com o futuro da humanidade

Pois é amigos, a equipe do site xkcd utilizou o maior buscador da internet para uma função pouco usual: prever os próximos 90 anos da raça humana. Realizando buscas com termos como "em (ano)", "no ano (ano)", "será que (alguma coisa) no ano (ano)" e outras frases do tipo, o grupo compilou os resultados que mais apareciam para prever o futuro de acordo com o Google.

Entre os resultados da busca, os principais destaques ficam com o fim do mundo (2012), Jesus voltando para a Terra duas vezes (2018 e 2023), a cidade de Atlantes reaparecendo (em 2024) e humanos se fundindo com máquinas (2045).

 

 

 

FONTES: XKCD e Olhar Digital

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O desafio do som perfeito

 

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O desafio do som perfeito parece depender de uma revolução que traga novos formatos, mais canais e alguma sofisticação no controle do áudio.

Atualmente vivemos uma grande mudança na forma como se produz e se vê TV: a sigla “HD”, hoje na produção de audiovisual, significam meta e realidade para a maioria dos profissionais do setor. O período de transição do sistema analógico para o digital já passou, e com ele as ilhas de edição lineares e os controladores de edição com EDL – Edit Decision List.

O mundo vivencia, agora, a implementação da alta definição em larga escala, convivendo, ainda, com diferentes sistemas, para não falar na maioria das transmissões de TV, ainda não convertidas para o novo sistema. Mas, seja como for, o que temos na mente são aquelas telas largas, com nível incrível de detalhes, aparelhos capazes de reproduzir o HD.

Daí, nos lembramos quem nem tudo é imagem e pensamos no som. Também seremos surpreendidos com uma revolução de qualidade sonora? De fato, a qualidade do áudio já era excelente desde a criação do formato Mini-DV, com suas trilhas de sinal sonoro digitalizado sem compressão, o mesmo dos conhecidos CDs. A conclusão parece óbvia, mas pode não ser: novos formatos podem trazer mais canais e alguma sofisticação adicional no controle do áudio. Mas nada que se compare a uma imagem em alta definição.

Os profissionais da área têm pela frente um grande desafio na hora da captação do som, é necessário prudência e planejamento. Mas o problema, aqui, é outro: a qualidade do áudio, em muitos casos fica abaixo do que poderia ser. Este é um problema persistente, mais relacionado ao operador de tais equipamentos do que efetivamente àquilo que o sistema consegue entregar ao usuário. O ponto da questão é que os erros na captura ou montagem do áudio são menos notados pelo público do que as falhas de imagem. Ao som deve ser dada a mesma importância da imagem.

 

FONTE: polorio.org.br

terça-feira, 12 de abril de 2011

Entrevista com Pedro Paranaguá sobre reforma autoral

 

Outro dia jornal de grande circulação pediu-me entrevista sobre a reforma dos Direitos Autorais no Brasil. Compreensivelmente, o espaço acaba sendo pequeno, além de adaptações normais de pauta, o que acabou por não incluir nem metade de minhas respostas. 

Resolvi, portanto, divulgar aqui minhas respostas, para que não ficassem perdidas entre bits e bytes.

REPRODUÇÃO DA ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

Pergunta (ou P) 1 - O Creative Commons (CC) foi criado a partir da universidade como um sistema legal alternativo. Hoje ele é adotado mesmo por governos, como o brasileiro e o americano. Como as diretrizes do CC se ancoram em sistemas legais como o brasileiro, o americano e o da União Europeia? Isto é, se a sistema legal não reconhecer as licenças CC, não pode surgir um vazio jurídico?

Paranaguá- Cada país faz sua adaptação da licença, de modo que as licenças sejam válidas no ordenamento jurídico de cada país. Diversos tribunais mundo afora já reconheceram as licenças CC como sendo plenamente válidas em seus ordenamentos jurídicos: Holanda, Bélgica, EUA, Israel etc. Além disso, vários governos a utilizam: Holanda, Austrália, EUA, Coréia, Chile, Israel, México, Tailândia, África do Sul, dentre outros.

P 2- No tempo da fita e do VHS, era muito comum e perfeitamente legal gravar fitas e dar para namoradas e amigos, ou até para si próprio. Hoje, a França instaurou a famigerada lei Hadopi, o Sr. Eduardo Azeredo está tentando aprovar projeto de lei sobre cybercrimes e os EUA de vez em quando multam um adolescente em milhões de dólares. Por que o MP3 é tão diferente da fita? É só a escala?

Paranaguá- Evidentemente é muito mais fácil (e eficiente) compartilhar conteúdo em formato digital. Mas não é apenas a escala que é diferente. Os custos para distribuição são imensamente menores quando o formato é digital. Além disso, o próprio consumidor pode ser um canal de distribuição. Ou seja, é marketing gratuíto e espontâneo. Um presente de mão cheia aos autores – e à indústria de conteúdo. As redes sociais, microblogs, softwares de P2P etc. são formas excepcionais de divulgação e compartilhamento de conteúdo. Claro que quem depende do modelo de negócio tradicional, baseado na escassez, está fazendo de tudo para manter o status quo. Mas não perceberam que a tecnologia digital é a solução, e não o problema.

P 3- Um dos argumentos do MinC para tirar a licença CC é que ela é, por assim dizer, redundante: a cessão de direitos já estaria prevista na lei. Esse é, aliás, um argumento comum contra o CC. A inovação do CC seria mais simbólica que verdadeiramente prática?

Paranaguá- O licenciamento de direitos está, sim, previsto na lei. Mas para que ocorra, é preciso dize-lo expressamente. Se não houver licença ou contrato, todos os direitos ficam reservados. Com o licenciamento, seja através das licenças CC, seja através de qualquer contrato ou licença, aí sim é que alguns usos poderão ser autorizados. Claro que não é necessário adotar uma licença CC. Pode-se adotar qualquer outra licença. Mas se nenhuma for adotada; não há autorização para nada. Se for uma licença nova, todos terão de ler e analisar para ver o que a nova licença autoriza ou proíbe; bem como analisar se a mesma está de acordo com o ordenamento jurídico do país que a adota. A vantagem das licenças CC, em contrapartida a eventuais terceiras licenças, é que são relativamente conhecidas mundo afora; formam um padrão adaptado para cada ordenamento jurídico; têm sido reconhecidas por tribunais em diversos países e, portanto, facilitam a vida de todos.

P 4- Você mencionou a importância do caso CC como sinal de algo significativo para o futuro do país e do debate. De que se trata?

Paranaguá- O fato de nos primeiros dias de seu novo mandato a nova Ministra da Cultura ter mandado retirar a licença CC do site do MinC demonstra algumas coisas: 1. um contrasenso ao que o governo Lula vinha fazendo, não houve debate transparente e participativo com a sociedade. Por consequência, e pela falta da continuidade do governo anterior, muitos se sentiram mal representados em relação aos votos nas urnas. 2. Há uma clara contradição na atitude da nova Ministra com a política do partido político que continua no mandato. 3. Não tenho dúvida de que, caso a nova Ministra entenda que o atual anteprojeto de lei não esteja bom o suficiente, então deve-se reabrir espaço para debate, de forma a garantir a transparência e a participação democrática. As regras devem ser claras e transparentes. Bem como deve haver representatividade, pluridade e participação. Afinal, estamos num Estado Democrático de Direito.

P 5- Mais uma vez a Hadopi: o governo francês se apressou para aprovar a lei, passando por cima de normais regimentais do congresso, por exemplo. Montou um gigantesco aparelho de monitoramento e punição. Não é um esforço banal, tudo isso para perseguir internautas. Por que tanta dedicação? O que está por trás disso?

Paranaguá- A indústria de conteúdo autoral quer manter o status quo. Para isso, está fazendo de tudo para manter, no mundo digital, o antigo modelo analógico de escassez forçada. Contudo, no mundo digital, fica mais evidente ainda que direitos autorais (e os arquivos digitais) não são escassos. Podemos fazer infinitas cópias (idênticas). Além disso, também não são rivais. O meu uso não interfere com o seu. São princípios integrantes dos direitos autorais; bens imateriais que o são. E o curioso é que os internautas e os fãs de músicas e filmes ficam cada vez mais desapontados com a má gestão da indústria do conteúdo. Má gestão como: colocar travas anticópia e remotamente apagar todas as músicas pelas quais você já pagou, simplemente porque você decidiu não mais assinar mensalmente uma loja virtual. Parece-me, inclusive, que os fãs passaram a boicotar a indústria por suas más práticas. Parece-me que ou a indústria de conteúdo se adapta, ou os autores devem cada vez mais se aproximar de seus fãs, para vender experiências direto aos seus fãs.

P 6- Existem países que são mais abertos à flexibilização das leis autorais?

Paranaguá- São dezenas de países mais abertos à flexibilização. Ironicamente, o próprio EUA possui o famoso “fair use”, que permite, inclusive, e dependendo do caso, a cópia integral de uma obra autoral. Há diversos casos, inclusive, em que o uso comercial não impede o “fair use”. Israel e Filipinas implementaram exatamente o mesmo “fair use”. Igual ao dos EUA. O Chile acabou de implementar uma grande reforma autoral, autorizando várias flexibilidades para, de um lado, promover a criatividade e, de outro, o acesso ao conhecimento.

P 7- A fusão entre consumo e produção (o tal prossumidor) provoca impulsos de reforma da legislação. E quanto ao sistema econômico em si? Toda aquela estrutura de edição, autoria, distribuição, cobrança etc. pode se metamorfosear em quê?

Paranaguá- Não adianta querer replicar o modelo tradicional, analógico, para o atual mundo digital. Não funcionará. Um exemplo que não tem a ver com direito autoral, mas que mostra claramente que o mundo digital é diferente, é o do vídeo da Cicarelli na praia com seu ex-namorado. Por mais que se tente bloquear um conteúdo online, há formas alternativas tecnicamente possíveis de se continuar replicando o mesmo conteúdo. O vídeo, até hoje, está na Internet, apesar da ação judicial. Se os tribunais e a indústria do conteúdo não compreenderem como funciona a Internet, continuaremos a assistir retrocessos. Todos perdem: autores, fãs, indústria do conteúdo e indústria da tecnologia.

P 8- As tensões entre criação e legislação são semelhantes em regimes de copyright e dedroits d’auteur? Como elas se manifestam nesses dois regimes?

Paranaguá- O direito autoral na verdade foi criado como sendo direito de cópia. Copyright propriamente dito. Foi criado em 1710 na Inglaterra. Era uma lei “para o encorajamento do aprendizado”. Tinha por objetivo limitar os direitos (eternos) concedidos às editoras. Limitar a discricionariedade dos monarcas. Era essencialmente econômico. Não havia direito moral algum. Foi uma lei para democratizar e para promover a criatividade. O prazo de duração dos direitos autorais era de 14 anos – podendo ser prorrogado por mais 14. Hoje, uma obra recebe proteção, geralmente, por mais de 100 anos (contando a vida do autor, mais 70 anos após sua morte). O regime droit d’auteur nasceu no pós Revolução Francesa. Era, também, uma forma de evitar o poder exacerbado dos monarcas. Evitar o autoritarismo. E dar direitos à pessoa humana: o autor. Com isso, criaram-se os direitos morais do autor. Tais direitos morais devem ser cuidadosamente equilibrados, caso contrário podem dar margem a abusos, como o caso de herdeiros, que não criaram nada, proibírem a circulação de obras do falecido. Veja que o direito autoral existe para promover o bem-estar da sociedade como um todo. Não é um direito absoluto. Deve obedecer sua função social.

P 9- E quanto a iniciativas como o paywall [sistema de pagamento para acessar jornal ou conteúdo digital] de Rupert Murdoch, ou o DRM: elas têm respaldo legal? E talvez mais importante: elas têm esperança de sucesso, segurando o ímpeto da rede e retrocedendo à lógica moderna (em oposição a pós-moderna)?

Paranaguá- Curioso que os EUA tentaram em 1995 implementar leis regulando o DRM lá nos EUA. Não conseguiram. Houve forte reação da sociedade, que sairia prejudicada. Então o governo norte-americano utilizou da estratégia da “porta dos fundos”: foi no âmbito internacional, em Genebra, e conseguiu emplacar os Tratados da Internet de 1996, que regulam direitos autorais no mundo digital. Aí voltou para seu Congresso e implementou a regulação de DRM – sem, contudo, ter implementado as flexibilidades possíveis de acordo com os Tratados assinados em Genebra. A pressão é tão grande que o Brasil, que não é signatário desses tratados, implementou na lei autoral medida a qual não estamos obrigados internacionalmente. Professores e pesquisadores de ciência da computação da Universidade de Princeton, dentre outras, comprovam que DRM não funciona. Portanto, o consumidor final vê suas ações e direitos serem restringidos. E quem quer ganhar dinheiro ilicitamente, continua conseguindo burlar as travas anticópia. É insustentável tentar manter o modelo tradicional no atual mundo digital. Nesse meio tempo, garantias fundamentais, privacidade e liberdade de expressão, todas, saem perdendo. Tudo em nome do direito autoral. Faz sentido?

FONTE: pedroparanagua.net

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Samsung começa a produzir telas de LCD transparentes

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Novos painéis de 22 polegadas podem economizar até 90% no consumo de energia

A Samsung começou a produção de uma série de painéis LCD transparentes que podem reduzir o consumo de energia da máquina em até 90%. É possível enxergar através da tela de 22 polegadas, que possui uma transparência de 20% para tons monocromáticos e de 15% para coloridos . O valor normal em LCDs comuns é de 5%.

A companhia sul-coreana é a primeira a produzir a tecnologia em massa e espera, em breve, liderar o mercado global de LCDs transparentes, inclusive para o desenvolvimento de aplicações para os aparelhos. "Displays transparentes terão uma vasta aplicação em áreas da indústria como uma ferramenta eficiente de divulgação de informações e comunicação", explica Younghwan Park, Vice Presidente Senior da divisão de LCD da Samsung.

A Samsung vê aplicações para os painéis transparentes nas áreas de publicidade e educação. Eles poderiam, por exemplo, ser usados como outdoors ou vitrines interativas de lojas.

Os painéis possuem uma proporção de contraste de 500:1 e resolução de 1680x1050. Os aparelhos também terão entradas HDMI e USB. Ainda não há uma data para lançamento dos painéis no mercado.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Os 03 maiores desafios do Rádio Digital no Brasil

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Como já havia dito em uma de minhas postagens neste blog, o rádio digital ainda padece de problemas para a sua efetivação no Brasil. A verdade é que os problemas são muito mais gerados pela ordem política do que pela viabilidade técnica em se instalar os padrões. Visto que a cúpula que controla parte das decisões sobre os caminhos da radiodifusão no Brasil exerce um lobby de grande influência no país.

Em geral, a Informação é vista como questão de segurança nacional. Haja vista sua valoração pela Constituição Federal de 1988. Não ponho aqui em questão os méritos que tornem a Informação uma questão de Estado. Mas é fundamental termos em mente que o desenvolvimento da tecnologia caminha sempre passos maiores do que o escopo jurídico consegue prever. Se há 20 anos caminhávamos com walkmans em uma década não precisamos sequer mais de CD's para ouvir o que quisermos.

Voltando à questão do Rádio digital, temos problemas, sobretudo quanto ao número de emissoras que atualmente estão cadastradas (sem contar às inúmeras que funcionam na ilegalidade) e, sim, nesse momento eu falo também das webradios. Pois como comentei no post abaixo, À luz da lei, só podemos considerar uma rádio legal quando está possui concessão do Estado. Caímos novamente na questão da evolução tecnológica estar anos-luz a frente de nossos legisladores

Muitos entraves impedem a implantação do HD Radio

Por conta disso, o rádio digital enfrenta desafios de grandes proporções para a sua efetivação, mas para tanto, vou resumi-los em 03 dos quais considero mais urgentes:

O debate sobre o sistema. Apesar de que já houve diversas conversas e encontros, o debate acerca da escolha dos padrões e da interferência que esses sistemas trarão ao dia-a-dia do Brasileiro é desconhecido por sua população, grande parte disso por conta do desinteresse e, também por conta da influência da Televisão que nesse caso, puxa o gancho muito mais forte para o seu lado do que para as emissoras. É necessário fortalecer os debates regionais, pois, o grande número de emissoras radiofônicas comunitárias ainda exerce força absurda dentro de diversas comunidades Brasil afora.

Entender o aspecto Multi-Étnico-Regional. As diferenças regionais e os costumes adotados por cada emissora nas diversas regiões do Brasil devem dar o tom sobre a forma como essa nova tecnologia será integrada. Ao contrário da Televisão que buscou adotar uma "identidade nacional" O rádio não precisou desse contrato, muito pelo contrário, o rádio cria um elo de identidade com seu público. Adotando os modos e costumes de cada região e com isso, esses valores podem indicar de que forma o modelo digital terá sucesso em sua sedimentação com o público.

Trabalhar integralmente com as outras Mídias. Enxergar o Rádio como um meio de comunicação isolado, onde a lógica do (Emissor --> receptor) vigora, não existe mais. O rádio aprendeu a trabalhar com a tecnologia, mas ainda há certa resistência em tornar esse trabalho em conjunto com as outras mídias, quanto maior for essa integração mais o rádio ganha em agilidade e a adoção de tecnologia só vem a tornar o trabalho destas emissoras muito mais dinâmicas e eficazes.

Agora é esperar e ver de que forma esses desafios e muitos outros poderão abrir caminho para o sucesso e a implantação do sistema digital no País.

FONTE: radioetech.blogspot.com

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Musicdog: ouça podcasts e rádios de todo o mundo

 

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O Musicdog é, antes de mais nada, voltado a redes sociais e a conteúdo da internet, ou conteúdo streaming. Isto permite aos usuários ouvirem podcasts e rádios de todo o mundo, além de gerenciar suas próprias músicas, organizar downloads e listas de reprodução.

Dentre suas vantagens, também se destacam a possibilidade de conversar com outros usuários e ainda ouvir o trabalho de músicos e cantores cadastrados no Musicdog.

Tudo pode ser executado sem instalação e com qualidade. Assim como nos serviços de música disponíveis pela rede atualmente, é necessário fazer um cadastro no Musicdog para desfrutar de tudo que o serviço tem a oferecer. Depois de se cadastrar ("Join Now"), você já poderá realizar buscas pelo site. Escreva no campo "Search" o nome de sua banda favorita, do artista ou da música e espere o resultado. Quanto maior a largura da banda de sua internet, mais rápido o serviço retornará resultados e carregará os conteúdos na página.

Encontrou sua música? Basta clicar sobre a faixa para ouvi-la! Se preferir, crie uma lista de reprodução (em "+ New Playlist") e faça uma seleção a seu gosto. Ao criar sua lista, realize buscas no serviço, arraste e solte as faixas a seu gosto para dentro da nova playlist. Sua lista ficará armazenada em sua conta.

E que tal dar uma viajada pelo mundo e ouvir um pouquinho de cada rádio, de cada país de seu interesse? Com o Musicdog, você pode escolher qualquer rádio disponível e começar a ouvir, como se fosse no rádio de seu carro. E ainda: cada música que toca é exibida com informações para você, como nome do artista e título.

Escolha uma rádio que mais se adequa ao seu gosto musical ou conheça novos ritmos sem sair da frente de seu computador!

Para fazer o download do Musicdog, é só clicar aqui. Boa diversão!

FONTE: olhardigital.uol.com.br

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Globalização vs. nacionalismo

 

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Um tema e que ainda provoca debates é a preocupação com a “desnacionalização” não apenas das telecomunicações, mas de toda a economia brasileira. Entre os leitores que me sugerem analisar o tema está o engenheiro e professor Ovídio Barradas, ex-diretor da Embratel e de diversas outras empresas privadas desse setor, um dos mais respeitáveis profissionais de telecomunicações do País. Num contraponto à minha indignação com a política externa brasileira de “neutralidade” diante Kadafi e de apoio explícito a outros ditadores sanguinários, Barradas diz que sua maior preocupação não é com a política externa, mas com os problemas internos, a começar da presença estrangeira na economia como um todo e, em especial, nas telecomunicações.
Para Barradas, “nesse setor, os brasileiros são extrema minoria, quanto ao poder de decisão”. E o mesmo acontece na indústria automobilística, nos bancos, na indústria de alimentos e outros. E faz diversas perguntas sobre as causas dessa situação geral: “Será isso falta de competência? Falta de dinheiro? Ou um comodismo político entreguista, que não dá apoio e incentivo aos empreendedores e talentos nativos?”

Na mesma linha, o leitor José Luiz Pinto da Fonseca estranha a falta de apetite dos investidores brasileiros diante das telecomunicações: “Por que nosso sistema de comunicação passa a cada dia mais para as mãos de empresas estrangeiras? Será falta de dinheiro de empresários brasileiros, falta de interesse ou de competência mesmo? Para onde foram os brasileiros que antes dirigiam a Telesp e outras? Ou foi o BNDES que não os financiou?”

Já pensei dessa forma, num passado distante, numa visão a que eu chamaria de “nacionalismo sentimental”. Essa era a visão dominante de minha geração nos anos 1950 e 1960, muito antes do processo de globalização. Creio que o mundo atual não nos permite raciocinar com os mesmos argumentos de 50 anos atrás.

Respeito os patriotas que estão preocupados com a necessidade de uma economia inteiramente controlada por brasileiros. Para eles, o importante é o “poder de decisão” estar nas mãos de brasileiros – mesmo que a população não tenha acesso aos benefícios do desenvolvimento ou da tecnologia. Isso me lembra o passado, quando nossas riquezas minerais permaneciam debaixo da terra, e isso era prova de “soberania”.

É claro que eu gostaria que os brasileiros fossem donos de tudo em nossa economia. Adoraria, sim, que todo “poder de decisão” estivesse em mãos de cidadãos nascidos neste País. Não sei, entretanto, se os resultados dessa situação seriam os melhores, mas meu sentimento de brasilidade estaria inflado e feliz. Fui estudar o problema com mais profundidade e descobri, com base nos dados do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, que a presença do capital estrangeiro na economia brasileira não chega a gerar sequer 20% desse produto. Não vejo como preocupante esse “poder de decisão”.

A xenofobia

O que me assusta, sim, é a possibilidade de retorno às políticas xenófobas do passado. Querem um exemplo? Cito a política industrial nacionalista das telecomunicações adotada no final do regime militar, época em que o governo chegou a exigir que as multinacionais do setor fossem controladas pelo capital nacional.

Assim ocorreu com a Ericsson, a Siemens, a Standard Elétrica e a NEC, “nacionalizadas” para ter o direito de fabricarem aqui as centrais telefônicas digitais no começo dos anos 1980. O artificialismo dessa política setorial nada deixou de positivo ao País.

Pior ainda foi o que ocorreu na área de informática, em seu período de nacionalismo industrial mais radical. De 1972 a 1992, o País implantou a política de reserva de mercado na indústria de computadores. Ao final de duas décadas, o resultado foi um atraso de 20 anos no desenvolvimento nacional nessa área.

A chamada política nacional de informática era claramente xenófoba. Proibia explicitamente a fabricação de microcomputadores em território nacional por empresas de capital estrangeiro. Ao longo de toda a sua vigência, o País não deu prioridade a investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, nem à formação de recursos humanos de alto nível.

Curiosamente, a política nacional de informática era apoiada pelo grupo mais variado de partidos, pessoas e entidades: por acadêmicos, pela esquerda mais radical, pela “burguesia nacional” das empresas fabricantes beneficiárias de reserva e pela chamada comunidade nacional de informações, liderada pelo antigo SNI (Serviço Nacional de Informações). Ideologicamente, unia a extrema direita à extrema esquerda: uma verdadeira arca de Noé.

Como projeto nacional que visava à criação de competência nacional na área, a política nacional de informática deu poucos resultados positivos porque se resumiu à reserva de mercado, não aportando investimentos expressivos em pesquisa e desenvolvimento, nem na formação de recursos humanos altamente qualificados ou no desenvolvimento de uma indústria nacional de componentes eletrônicos ou de software.

Nos discursos inflamados em defesa daquela política, as expressões que mais ouvíamos se referiam a uma “tecnologia genuinamente brasileira”, em nome da “soberania nacional”.

O que nos faltava, entretanto, eram produtos de qualidade a preços acessíveis. A expressão proibida era a “satisfação do usuário”. Lembro-me de um dos mais candentes defensores da política nacional de informática, um jovem cientista, que dizia, com orgulho e arrogância: “Nosso objetivo é fortalecer o poder nacional. O usuário que se lixe, pois ele sempre quer o melhor produto pelo menor preço. Nenhum usuário é patriota nem nacionalista”.

R$ 620 bilhões!

O leitor já ouviu, com certeza, a expressão privataria, para caracterizar a privatização das telecomunicações. Além de lamentar a “desnacionalização” do setor, os defensores do modelo estatal sempre afirmam que a Telebrás foi vendida a “preço de banana”.

No entanto, leitor, essa privatização rendeu ao Brasil um volume impressionante de recursos: R$ 620 bilhões. Repito: R$ 620 bilhões ou, se falarmos em dólares, US$ 370 bilhões. Faça os cálculos. O controle acionário da Telebrás foi vendido em leilão aberto a todos os interessados por R$ 22,26 bilhões, ou US$ 19 bilhões da época (julho de 1998), valor pago por apenas 19% das ações que estavam em poder do governo federal.

É bom lembrar que, além desses R$ 22,26 bilhões, o governo brasileiro ganhou mais R$ 45 bilhões com a venda de licenças às novas operadoras de telefonia fixa e de celular. Acrescentemos, portanto, essa receita ao valor do leilão e chegamos a R$ 67,26 bilhões.

Além desse total, as novas operadoras privadas investiram um total de R$ 190 bilhões para expandir o sistema brasileiro de telecomunicações. Com esse investimento, o “preço de banana” já subiu para R$ 257,2 bilhões.

É preciso incluir também o total de tributos arrecadados apenas sobre as contas telefônicas da nova rede nacional de telecomunicações nos últimos dez anos, que alcançou mais de R$ 330 bilhões em impostos sobre os serviços de telefonia, e ainda o confisco de R$ 32 bilhões dos fundos setoriais de telecomunicações (Fust, Fistel e Funttel). Desse modo, o resultado final do “preço de banana” da privatização das telecomunicações chega a R$ 619,2 bilhões.

Notem que as vantagens financeiras da privatização foram obtidas pelos governos de FHC (quatro anos) e Lula (oito anos). A grande expansão da infraestrutura de telecomunicações, por sua vez, resultou exclusivamente do investimento feito pelas empresas privadas, da ordem de R$ 190 bilhões, em seguida à privatização da Telebrás. Foi esse investimento que fez o Brasil saltar dos 24,5 milhões de acessos telefônicos (fixos e móveis) que tinha em 1998, para os atuais 250 milhões.

Por outras palavras: o Brasil tem hoje uma infraestrutura dez vezes maior do que a da Telebrás em 1998. Nos últimos 12 anos, a densidade telefônica passou de apenas 14 para 131 acessos por 100 habitantes, enquanto o número de usuários da internet saltou de 2 milhões para 73,9 milhões, segundo a última pesquisa Ibope Nielsen Online, divulgada há poucos dias.

O maior preço que pagávamos pelo modelo estatal era não ter telecomunicações. Agora, temos problemas de outra natureza, nenhum deles, contudo, decorrente de o “poder de decisão” estar nas mãos de estrangeiros.

Há problemas, sim

Os defensores da estatização, sempre levantam uma questão fundamental: “Esses números extraordinários significam que tudo vai às mil maravilhas no setor de telecomunicações?”

Absolutamente, não, meu caro leitor. Os problemas existentes não se referem ao “poder de decisão” dos acionistas estrangeiros, mas à omissão do governo federal diante de um setor privatizado. O governo não cumpre seu papel nem suas obrigações fundamentais, que deveriam incluir: a) a formulação de políticas públicas para redirecionar os investimentos para novos setores, como os de banda larga; b) a modernização da legislação; c) a fiscalização rigorosa da qualidade dos serviços, que, embora seja muito melhor do que a dos tempos da Telebrás, ainda tem muitos problemas; d) a elaboração de uma política industrial; e) a coordenação de um grande esforço nacional de desoneração fiscal dos serviços.

Esse é o imenso passivo governamental diante das telecomunicações brasileiras nos últimos 12 anos. Poderíamos fazer um levantamento semelhante sobre os benefícios da privatização e a inércia estatal em outras áreas, como, por exemplo, nos setores de siderurgia (em especial, o da Vale) e da indústria aeronáutica (Embraer).

Qualquer setor privatizado exige atenção especial do governo quanto à fiscalização da qualidade dos serviços prestados e aos padrões de atendimento do usuário. Além desses deveres essenciais, os governos deveriam cuidar de forma permanente da formação de recursos humanos, do estímulo à pesquisa e desenvolvimento, do financiamento à empresa nacional, da fiscalização rigorosa, da regulação criteriosa e na atualização da legislação.

Mas os governos são tradicionalmente relapsos e não fazem sua lição de casa. Esse é o grande problema.

Publicado por Ethevaldo Siqueira em Caros Ouvintes, Crônica, Rádio e Televisão

FONTE: Caros Ouvintes

terça-feira, 5 de abril de 2011

Dê um empurrãozinho em sua memória RAM e faça seu sistema rodar mais rápido

 

001 software

O principal objetivo do PC Brother Memory Optimization é otimizar seu computador, além de exibir para você a quantas anda o sistema atual, tanto em formato gráfico quanto numérico. Esta ferramenta pode ser justamente aquilo que faltava para ajudar seu computador a funcionar mais eficientemente, rodando os programas de forma mais rápida e estável.

O software é totalmente gratuito e amigável. Suas principais ferramentas estão disponíveis em uma barra específica na tela principal.
Quando você executa um aplicativo, sua memória RAM é forçada a trabalhar mais rápido. Uma vez que a memória já está cheia, o sistema começa a usar o disco rígido - levando a uma queda considerável de desempenho em seu computador. Mas, com a ajuda de PC Brother Memory Optimization, você pode ter certeza de que isso não vai acontecer.

O processo utilizado pelo aplicativo para otimizar a memória do seu PC é simples: ele remove os processos e as informações que não estiverem sendo utilizadas no momento. Muitas vezes, dados como estes ainda nem chegam à memória RAM, justamente por ainda não terem sido transferidos pelos programas que os originaram.

Além disso, PC Brother Memory Optimization usa recursos mínimos para executar uma varredura constante de sua memória RAM, para prevenir situações desagradáveis. Enquanto isso, o programa exibe uma barra de status, onde você pode visualizar o uso de RAM atual e efetuar uma "limpeza" de memória, sempre que necessário. Você pode programar este processo, de modo que a limpeza ocorra automaticamente, quando o aplicativo atingir um nível pré-determinado.

Para fazer o download do software, clique aqui.

FONTE: olhardigital.uol.com.br

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Rádio do futuro! HD Rádio

Por Jair Brito para o Caros Ouvintes

Está mais do que na hora de reinventarmos esse importante veículo de comunicacão de massa.

A partir da internet e do advento de mil e uma novidades tecnológicas, o rádio requer sim fórmulas inovadoras de programação, em que o conteúdo esteja em primeiro lugar. E que surjam criações que se ajustem aos novos caminhos da Tecnologia da Informática.

Caros Ouvintes abre espaço nesta coluna para uma importante exposição de ideias, reunindo nomes da comunicação de todo o país. Expressam suas opiniões aqui nossos convidados do eixo RS/SC/PR/SP. Gente que está na ativa, gente que já fez rádio, professores de comunicação, sobretudo apaixonados que, como nós, se preocupam com o novo tempo que há de vir. Era que vai exigir conteúdo consistente de programas e muita criatividade para abastecer os novos formatos de áudio.

De São Paulo, opinião de Mariza Tavares, jornalista diretora-executiva da Rede CBN: 

“Não tenho dúvida de que o rádio e, mais especificamente, o radiojornalismo, vive um período que poderia ser chamado de Renascença, exatamente como os livros de História definem as transformações entre o final da Idade Média e a transição para a Idade Moderna. E o principal aliado do rádio é a tecnologia, que permite que este seja o veículo mais bem apetrechado para a demanda contemporânea por informação em tempo real. Basta um celular e temos um repórter ao vivo, no ar, com a instantaneidade da notícia exigida por ouvintes cada vez mais exigentes. Além disso, a internet abre perspectivas totalmente novas para o rádio, que poderá, finalmente, se liberar de limitações como as concessões de frequências. O rádio na internet já é uma realidade e, à medida que o streaming se tornar mais acessível, estará disponível para um número cada vez maior de ouvintes-internautas que não só poderão ouvir, mas também produzir conteúdo. Posso dar o exemplo da CBN: além das nossas emissoras e afiliadas, estamos na internet não só para sermos ouvidos em tempo real, mas com a opção de sermos vistos, já que dispomos de câmeras nos estúdios de São Paulo e Rio de Janeiro. E os conteúdos ficam arquivados no site: comentários, boletins e entrevistas podem ser degustados on demand, quando o ouvinte desejar, havendo ainda a opção de esses arquivos serem baixados em podcast. Estamos no limiar da reinvenção do rádio.”

Do Rio Grande do Sul, opinião de Cezar Freitas, gerente de jornalismo da Rádio Gaúcha de Porto Alegre: 

“Sob o ponto de vista tecnológico, a transmissão digital não está num horizonte próximo. Considerando o conteúdo que fazemos na Rádio Gaúcha, vemos uma preocupação cada vez maior com a qualidade. Uma combinação de informação ágil e precisa com jornalismo que contribua com o debate e aprofundamento das questões importantes de nossas comunidades. Aliás, a proximidade com o ouvinte passa cada vez mais a ser determinante na discussão da pauta ou na multiplicação dos pontos de contato e interação com o público. Seja por meios que as novas tecnologias oferecem ou mesmo pela aproximação física de nossos comunicadores em programas ao vivo mais próximos de nossos ouvintes. Lembrando que nossas “rádios” são captadas não só por receptores tradicionais, mas por diversos equipamentos capazes de receber nosso produto, como Ipods, computadores, celulares. O rádio ganha novas formas de prestar serviço. E novas exigências do público.”

Do Paraná, opinião de Gilberto Fontoura, ex-diretor das rádios Independência AM, e FMs Brasil 104 e Globo 98 e atual Consultor de Rádio:

“O rádio do futuro é o rádio da segmentação. O rádio serviço, o rádio jornalismo, o rádio de prestação de serviços. O rádio das praias para operar em áreas limitadas. O rádio polícia em que os policiais conversem entre si. O rádio meio ambiente, tempo, clima, catástrofes, crimes contra a natureza. O rádio rural. O rádio Jazz-Rock-Blues. O rádio SOS. Mas acima de tudo o rádio com produção, muita produção, direção, gerenciamento. O rádio celebridades. Em São Paulo, eu faria, até, o Rádio Corinthians.

Importante: criação, imaginação. Cabeças pensando sempre. E limpeza total, absoluta, do dial: Xô pastores, xô políticos, xô sertanejão (isso é uma praga – aliás, acabo de comprar um CD da Maysa…). Rádio bossa-nova. E rádio Governo, tudo bem.
Rádio internet (como a rádio UOL, incluindo todas as prestadoras). Pode ficar a Rádio Senado, Rádio Congresso. Fundamental é uma varredura acabando com a mediocridade. E, claro, em cima disso mil idéias, arranjos, produções sem parar”.

De Santa Catarina, opinião de Antunes Severo, sócio fundador e primeiro presidente do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia. Professor de comunicação:

“O rádio nasceu como técnica. Com o radioamadorismo, virou meio social. Como meio social, é a força da radiodifusão. Hoje é o amigo oculto que está presente em todos momentos. É impossível ser solitário ao lado de um radinho. O rádio estará cada vez mais presente na vida das pessoas, porque ele é a alma da comunicação.”

De São Paulo, opinião de Alvaro Bufarah, jornalista, especialista em política internacional, mestre e pesquisador sobre rádio. Coordenador da Pós-Graduação em Produção e Gestão Executiva em Rádio e Áudio Digital da FAAP, Fundação Armando Álvares Penteado:

“Diante do processo de digitalização do áudio, o rádio passa a ter uma grande gama de possibilidades na plataforma multimídia. Nela, o ouvinte ganha status de usuário e passa a interagir mais com a programação das emissoras. Além disso, temos um processo de segmentação que favorece as emissoras em terem novos canais de áudio diferenciados para públicos cada vez menores. Para a sobrevivência empresarial diante desse processo, as rádios deverão investir em tecnologia, mas buscar a qualificação de seus profissionais para que atuem com criatividade utilizando as características básicas do meio radiofônico (imaginação, suporte sonoro para ambientação de ações, baixo custo, agilidade etc.). Para este novo mercado, precisamos de novas formas de gestão de recursos financeiros e de pessoas. Precisamos reaprender a fazer rádio.”

Resumo:
Mariza Tavares, dirigente da “rádio que toca notícia”, diz que “o radiojornalismo de agora é a renascença do rádio, a reinvenção do veículo.”
Cezar Freitas, que dirige o jornalismo de uma das principais rádios brasileiras (100% jornalística), afirma que “a proximidade com o ouvinte passa cada vez mais a ser determinante na discussão da pauta ou na multiplicação dos pontos de contato e interação com o público.”
Gilberto Fontoura, radialista do Paraná, aposta no “rádio da segmentação, rádio prestação de serviço, rádio jornalismo e em uma gama de outras atividades.”
Antunes Severo, professor de comunicação e presidente do Instituto Caros Ouvintes, prevê que “o rádio do futuro estará ainda mais presente na vida das pessoas porque é a alma da comunicação.”
Já o professor e pesquisador sobre rádio Alvaro Bufarah preconiza que “a digitalização do áudio vai abrir novas possibilidades para o rádio” e clama “por melhor qualificação dos profissionais do meio a fim de novas criações e novas formas de gestão.”

Este colunista, antigo batalhador na área da radiodifusão e que já participou de várias fases do rádio brasileiro, desde a época de ouro das rádios ecléticas; do rádio 100% musical, do rádio dos disc-jockeys, do rádio musical-informativo, do rádio dos comunicadores, e que acompanha o rádio da atualidade – no qual o radiojornalismo avança –, pensa que em breve serão deflagradas ações para o aperfeiçoamento dos atuais esquemas de Redes e sonha com um salto de qualidade das emissoras e do conteúdo dos novos programas e produtos, a fim de preencher inteligentemente a demanda cada vez maior de plataformas de áudio.

A TI, que já permitiu ao rádio inúmeras inovações, entre elas a internet, que, entre outras conquistas, abriu caminho para a transmissão de rádio-online, ainda vai proporcionar muitos outros avanços, que exigirão mais preparo de seus atuais e futuros  profissionais. O principal deles, o sistema rádio-digital – que possibilitará um sem número de configurações de interatividade –, deverá aumentar o alcance e elevar a qualidade de transmissão das emissoras em AM, FM e OC, revigorando o poder da mensagem e a força comercial das emissoras.

“Ainda nos dias de hoje, o rádio chega onde a televisão não chega. Atinge populações que nunca imaginaram o que é um simples controle remoto, mas, principalmente, possui tecnologia muito mais barata e versátil do que qualquer outro meio de comunicação de massa conhecido até ao momento. O rádio poderá transformar-se, mas nunca irá acabar”. Thomas Hilley, da União Internacional de Telecomunicações.

“A rádio, em geral, continua a pensar mais em suportes do que em conteúdos, quando se sabe que os ouvintes não querem saber de suportes; querem uma rádio o mais ubíqua possível e querem conteúdos que vão ao encontro dos seus interesses (que os entusiasmem)”. João Paulo Meneses, jornalista português.

“A Web não está concluída, é apenas a ponta do iceberg. As novas mudanças irão balançar o mundo ainda mais”. Tim Berners-Lee, criador da WWW, apostando em uma nova e revolucionária organização da internet.

FINAL, DOIS PONTOS:
1. Acredito na grandiosa gama de possibilidades técnicas e de conteúdo do rádio para enfrentar os novos tempos e
2. Tenho esperança de que os radiodifusores façam investimentos de grande monta na aquisição de equipamentos técnicos e na formação de novos profissionais.

FONTE: www.carosouvintes.org.br

sexta-feira, 1 de abril de 2011

André Midami, o futuro do entretenimento e o rádio.

20090313radio

Por detrás de tudo que esta acontecendo no mundo de hoje existe uma anomalia perigosa : a criatividade esta a serviço da tecnocracia e da tecnologia em vez da tecnocracia e da tecnologia estarem a serviço da criatividade .

Eu vou abordar este assunto através da industria da musica porem o que acontece com ela , esta acontecendo ou va acontecer com muitas outras industrias criativas…

Ha 20 anos atrás , Leo Burnett um dos gigantes da publicidade mundial , sediado em Nova Iorque , advertia que ele retiraria seu nome da porta da sua companhia no dia em que seus executivos fossem gastar mais tempo tentando fazer mais lucros e menos tempos em criar excelentes campanhas .

Ha uns 10 anos atrás alguns estudantes , ao serem entrevistados na televisão por um repórter que lhes perguntavam “…O que você pretende fazer na vida… “ respondiam “ …Francamente a gente não sabe , a gente quer trabalhar em qquer coisa que dé muito dinheiro…”

Durante o transcurso destes ultimos anos , estas manchetes foram publicadas nos jornais e revistas em diversos paises:
- A industria automobilística norte americana esta falida por ter ficada na mão de financeiros que não entendiam de veiculos .
- A industria cinematográfica deste mesmo pais que detem mais de 75% do mercado mundial produz violência porque violência eh rentavel .
- As grades de programacao das televisoes permanecem congeladas desde 1970 , com suas eternas novelas chorando seus mesmíssimos dramas , por receio de efetuar mudancas .
- As relaçoes entre as agencias de publicidade e seus clientes cada vez mais se resumem a questões envolvendo descontos sobre tabelas e cada vez menos em qualidade de criatividade.

Se a qualidade da criatividade desapareceu como fator preponderante dentro de muitas empresas se deve ao fato que os executivos criativos perderam o poder que tinham ate então e será interessante acompanhar o percurso que levou os líderes criativos da industria fonográfica a perder o poder ….e quais foram as conseqüências deste desastre , exemplo perfeito de um assassinato cometido pelos tecnocratas que se apoderaram do centro das déçisoes .

No inicio dos tempos modernos , no final do século dezenove , o “ music business “ estava não mãos das editoras de musicas : as vendas de partituras eram a única maneira que as pessoas tinham para se familiarizar com a musica que eles gostavam e que tinham escutado no radio ou na rua .

Foi somente no inicio do século vinte que surgiu a industria fonográfica chamada pelos seus precursores “ a industria da felicidade humana:  “Eles previam um futuro educacional , de grande alcance ,  para esta nova midia gravando principalmente  literatura , musica clássica , e opera .  As companhias eram o que chamamos , hoje , de independentes , eram companhias locais e a competição entre elas era ética , os artistas contratados eram poucos e eram orientados por seus donos que tinham um bom conhecimento da musica e sobretudo um bom senso dos negócios .

Foi a partir dos anos trinta que as companhias multinacionais se interessaram em fundar companhias fonográficas ( as americanas RCA e CBS , a Inglesa EMI , a Holandesa Philips eletrônica e finalmente a Alemão Siemens ) .
No entanto eles consideravam a sua entrada neste setor como uma maneira de trazer um brilho cultural a sua imagem de marca perante o publico….. era uma politica de relações publicas .

A Siemens , por exemplo através de investimentos importantes e a fundo perdido gravou um fantastico catalogo de musica clássica tanto em qualidade quanto em quantidade sob a marca Deutsche Grammofon,  por determinaçao pessoal do seu dono o Sr Siemens…queria ele ser admirado…

No entanto foi a EMI \Odeon em 1953 que deu o sinal de partida para que a industria se tornasse internacional e competitiva ….abrindo subsidiaras na Europa , na Asia , na América latina e finalmente comprando nos estados unidos a Capitol records , uma companhia independente de grande sucesso e dedicada exclusivamente a musica pop ( Frank Sinatra , Nat King Cole etc…. ) .

Para responder a esta iniciativa Philips e Siemens fundiram suas unidades fonograficas e abriram subsidiarias nos paises onde suas operações basicas já estavam instaladas . RCA e CBS iniciaram sua expansão instalando companhias na Inglaterra e América latina .

Foi a partir do ano 1955 com a explosão do rock’n roll sob a liderança do Elvis Presley contratado da RCA… que vieram mudanças dramáticas através de vendas que atingiram quantidades estratosféricas , os lucros eram grandes e a industria fonográfica , a partir dali tornou se o centro do music business .

A explosão musical era acompanhada por varias revolucoes tecnológicas : a gravação em estéreo , o aparecimento do LP 33rpm com capas cada vez mais criativas e do 45rpm substituindo o 78rpm de cera levando a qualidade sonora a níveis desconhecidos ate então .  A industria fonográfica era uma industria de ponta….no conteúdo e na forma .

Tamanho era a rentabilidade que os conglomerados de comunicação se precipitaram para comprar firmas independentes em todas partes do mundo , inclusive nos USA , investindo toneladas de dinheiro .

Os custos de gravações se tornaram cada vez maiores , os adiantamentos aos artistas e os custos de publicidade alcançaram níveis recordes , os salários dos lideres criativos chegaram aos milhões de dólares anuais  e acabou-se a entidade fonográfica como elemento de relacoes publicas. Estes conglomerados tinham suas ações em Wall street e Wall Street exigia e exige um retorno rápido sobre investimentos.
O lucro passou a ser uma prioridade imediata …..

Muitos lideres criativos se consideravam aristocratas acima do bem e do mal e olhavam o conceito da “ lucratividade “ como um componente pouco excitante intelectualmente e porque não dizer , bastante vulgar .  Componente este com o qual eles não queriam lidar e nem aprender a lidar, porquanto seus salários continuem sendo milionarios

Foi por esta brecha que os tecnocratas entraram em campo para tomar a liderança com a seguinte bandeira : “ Nós , os não criativos…nos somos melhores para administrar as industrias criativas porque nos não nos consideramos aristocratas …e não temos medo de nos sujar as mãos , e até desfrutamos lidar com a parte que vocês consideram suja : O LUCRO.”

As revisões dos orçamentos , que nos anos sessenta eram anuais , passaram a ser semestrais nos anos setenta , trimestrais nos anos oitenta , mensais nos anos noventa e quase semanais no inicio do século vinte um .

A industria da felicidade humana estava se transformando na industria da loucura humana .

Esta entropia veio a aniquilar a política das companhias que consistia , em geral , em contratar artistas …tomando em consideração suas personalidades , carisma e sua capacidade melódica e poética , aceitando perdas durante os dois ou três primeiros anos ate que possivelmente se tornasse um artista de sucesso .

O objetivo , ao lançar o primeiro álbum do artista , era testar a sua receptividade nas rádios , na imprensa e no mercado em geral… as perdas financeiras eram meramente uma contingência.
Um pouco mais de dinheiro seria perdido na lançamento do segundo álbum. No entanto a partir do terceiro lançamento a companhia , não somente recuperava as perdidas , mas deste momento em diante passava a ter lucro e as vezes muito lucro.

Durante o desenvolvimento deste processo o artista ia amadurecendo assim como seu publico e ambos tinham o tempo de desenvolver uma relação que podia durar para o resto de suas vidas .

Minha ideia de uma companhia de discos era de ter um grupo de artistas e que todos fossem orgulhosos de fazer parte dela porque todos estávamos com o mesmo pensamento e a mesma onda . Eu , como Seymour Stein , como Chris Blackwell , como Nesuhi Ertegun e outros não fazíamos parte do record business. Nossa especialidade era o artist business , e sobretudo o Career business – o business da carreira do artista.

Em 1980 nasceu um novo suporte o “ CD “ O som era pior do que do LP , por outro lado ocupava menos espaço nas pratileiras dos estoques mas ao mesmo tempo matava um elemento ludico essencial no processo de identificacao do artista com seu publico que era o conceito estético da capa de 12 polegadas e seus magníficos encartes.

Os advogados e os financeiros , agora responsáveis pelos destinos das gravadoras , eram somente tecnocratas e por melhor que eles fossem como tecnocratas, maior a distancia havia entre eles e os artistas .

Com o passar dos anos os artistas começaram a olhar para estes recém chegados como se olhassem para um estranho tipo de ser humano,. vindo de outro planeta e não encontravam neles interlocutores capazes de discutir os rumos de suas carreiras e muito menos negociar seus contratos .

Para se protegerem dos tecnocratas , os artistas contrataram advogados ….a partir deste momento as negociações de contratações ou renovações de contrato não envolviam mais nem o artista nem o lider criativo .
ANEDOTA DO PRINCE

Já se podia ouvir nos corredores dos conglomerados os tecnocratas dizerem que os artistas eram personagens instáveis , de pouca confiabilidade e sem nenhum senso de responsabilidade .

“……A industria fonografica seria maravilhosa se a gente não tinha que lidar com esta raça : ….os artistas …!!”

O conflito era tão grande que um importante artista me mandava uma carta emocionante na qual ele dizia “…Eh da musica que a industria nasceu….nao se pode deixar a industria matar a musica…”

Neste ambiente doentio surgiu de repente o que , a primeira vista , apareceu a solução a todos os males :  “Vamos fazer da canção a estrela e não mais o artista.”
Foram os australianos através de um programa de TV que encontraram a soluçao…. com tal sucesso que esta receita invadiu inicialmente a Inglaterra e posteriormente o resto do mundo…

A melodia tinha que ser muito acessivel , a poesia a mais convencional e seria interpretada por um grupo de pessoas escolhido por votação popular simplesmente por serem atraente e sexy. Eram ensinados a cantar , a dançar , eram vestidos por especialistas da moda e prontos a trabalhar na TV depois de ter gravado a duras penas seu CD de lançamento.

Acabava de se matar a galinha de ovos de ouro!!!! O sucesso comercial de uma canção dura 9 meses…. o sucesso de um artista pode durar anos .

O CD já em 1993 era um produto tecnologicamente obsoleto vulnerável a muitos tipos de agressão física e virtual , era portanto urgente que a industria se pusesse de acordo para adotar tecnologias modernas para o suporte do próximo futuro. Toshiba/ Warner de um lado e Sony/Philips do outro nunca chegaram a um entendimento. Cada um querendo ganhar os direitos decorrentes de suas patentes. Os anos passaram , os fabricantes de aparelhos se cansaram de esperar e o desastre bateu na porta primeiro em 1995 .

Nos paises onde as leis não tem eficácia na sua implementação…. exemplo no Brasil …..chegou primeiro …a pirataria física caseira , graças a Philips Electronics e Sony com seus equipamentos semi professionais de copia de Cds para CDs e posteriormente a pirataria industrial vindo da China.
CONTRA MAO

Os executivos das industrias norte americanas que tinham ao redor de 35 anos em 1970 , já estavam com 65 anos no inicio do século 21 ….a industria tinha se transformado numa industria madura, nao mais de ponta , de pensamento conservador que não entendeu que o futuro sempre tem razão. Em vez de processar as novas tecnologias, deveriam ter integrado elas de imediato logo de inicio. O real inimigo não são os jovens e a industria se equivocou de alvo. O inimigo nesta batalha são os fabricantes de hardware e de sofftware que vendem para a juventude os equipamentos necessários para fazer o download de musica , de filmes , de vídeo games, de pornografia.
Marginalizados pela industria, estes novos atores virtuais ,  agora condenados ao estatuto de piratas foram imediatamente identificados pela juventude como uma justa cruzada para conseguir gratuitamente o que consideravam como uma obscena a devoção ao lucro tanto das gravadoras como de seus artistas também.

O problema real é que o lobby da industria fonográfica não tem poder para enfrentar as Philips , Apple , Sony , Toshiba e tantas outras.

Entao a solução, que não foi uma solução, foi tentar fazer com que a juventude pague o pato.

Para enfrentar este desastre os tecnocratas somente sabem de uma coisa : Cortem os custos !!! Cortem os riscos!!! E em cortando os riscos eles eliminaram qualquer possibilidade de descobrir novos caminhos de musica e novos tipos de verdadeiras estrelas.

Eh improvável que o download remunerado jamais venha a compensar as pedas do CD pois a vida virtual mostra que Itunes vendeu 6 billions de musicas de 2003 até 2008 enquanto P2P movimenta 2 billions de arquivos cada mês…esta eh uma batalha perdida .

A juventude ( que era o segmento dinâmico do mercado fonográfico ) a qual tem tempo e não tem dinheiro  nunca mais va voltar a frequentar o mercado de discos convencional e isto é uma perda fundamental e irreversivel. No entanto quem tem dinheiro e não tem tempo , creio , sustentara uma industria bem mais modesta que se estabilizara talvez  50 % do que era.

Em conseqüência de todos estes fatores o lucro das gravadoras desapareceu e as conseqüências foram dramáticas :

A Warner Music que em 1999 valia 6 bi 200 milions de dolares,  foi vendida em 2005 por 2 bi 600 e hoje tem uma cotação de 1bi 600 na bolsa devalores . A EMI foi vendida a um grupo de investidores .  A Philips vendeu a Polygram para a Universal, etc.

Este desastre que podemos chamar de imobilismo , hoje , se repete no mundo das editoras de musica quando condenam as propostas da Creative Commons como o apocalipse do direito autoral enquanto deveriam compreender que , ao contrario ,  suas propostas são uma uma engenhosa maneira de salvaguardar e atualizar o direito autoral flexibilizando as regras de um jogo engessado ha muitos anos.

Nunca se gravou tanta musica e e nunca se teve tantos suportes a disposição para levar suas gravações ate o publico….

Áudio and vídeo webcasting
Digital cable
Celulares
Satélite
Ringtones
IPods
MP3
Vídeo games
etc…and etc…

Nunca a musica foi tão barata de se gravar e tao accessível….gratuitamente

Para utilizar todos estes novos suportes ….e os que ainda estão por vir , precisa se de criatividade e portanto eh indispensável que os lideres criativos da musica agarram o poder de volta em suas mãos.

…urgentemente ….eh também imperativo que se associam com os lideres criativos do mundo virtual da amanha .

No meio desta profusão de sites e blogs ( 17 milhoes eh a estimativa mais recente ) , se torna difícil ser identificado e esta situação talvez venha a sugerir que no nosso caso brasileiro , devamos desenvolver um plano agressivo para atacar o mercado internacional envolvendo as rádios internet , as empresa tipo CDbaby e Creative Commons com o apoio financeiro e logístico do BNDES e do MINC por exemplo

E o Futuro ?? , eu não tenho mais o que dizer alem do que foi dito pelos meus colegas palestrantes que foram brilhantes na suas colocaçoes ….estamos nomeio da tormenta porem para contribuir a este exercicio eu gostaria de imaginar um cenário macro dentro do qual a musica , gravada ou não , terá de encontrar seu lugar daqui ha 20 anos…

As crianças que nascem hoje inventarão um mundo tecnológico muito alem de nossa imaginação .
A intensa imigração das populações carentes em direção dos paises ricos fará com que a população branca venha a ser minoria nos seus
territorios ( …se estima que dentro deste prazo os USA os brancos so venham a representar 52 % da população total deste pais )
O billion 800 milhoes de chineses provavelmente prósperos …assim como o 1 billion 200 milhoes de Indianos em pleno progresso econômico e tecnológico ….somando se com o Japão e a Coréia do sul irão mudar dramaticamente a maneira que olhamos o Mapa Mundi ….. uma vez que os USA e a Europa não terao mais a hegemonia neo colonialista do passado …. poderão até perder parte de sua hegemonia cultural.
O dólar não será mais a moeda de transação mundial .

Por outro lado vivem espalhados pelo mundo 1 billion 200 millions de muçulmanos ( 0 , 001% poderiam ser terroristas ou seja mais de 1 milhao ) .
Morte provável do conceito do copyright , o qual eh praticamente desconhecido ou ignorado na China e na Índia , proibido pela religião muçulmana e progressivamente mais contestado pelos usuários do mundo ocidental
Aquecimento global
Escassez dos recursos naturais

Estas são meramente hipóteses entre muitas outras…posso concordar que , a primeira vista não são la muito otimistas …..no entanto a musica sempre foi mais prolífica e artisticamente prospera ..em tempos adversos …durante os terriveis momentos da ditadura brasileira por exemplo … da guerra do Vietnam ….e em tempos de grande euforia….durante o reino do Juscelino , da revoluçao de 68….como outro exemplo…! ou seja os povos precisam da verdadeira musica e de verdadeiros ídolos em momentos de grande e forte emoçoes …o mundo que nos espera será …sem a menor duvida cheio de grandes emoções….

Quero encerrar esta palestra agradecendo sua pacienca … afirmando
que o compositor , o autor , o interprete e os produtores independentes ou não , tem absoluto direito de serem justamente recompensado pelo
seu trabalho e pela felicidade que eles trouxeram ao publico …se assim o desejarem…o que não pode continuar eh esta casa da mãe Joana .

Do lado criativo chegamos ao momento atual na industria fonografica
Sem novos grandes astros
Sem novos movimentos ( BN , Tropicália , Rock brasileiro )
Sem musica clássica
Sem musica de Jazz
Com um Rock de idade avançada com seus 55 anos de vida
com um Rap na maturidade de seus 30 anos ….
Tendo para apresentar como unica novidade a musica eletrônica feita principalmente e somente para dançar
Estamos entrando num mundo onde “ small is beautiful “ continuara a conviver com “Big is beautiful “

Para “ Big is beautiful “ prosperar o líder criativo devera

1 \ aprender a entender o mundo das finanças ,
2 \ aprender a estudar e analizar os balanços financeiros ,
3 \ aprender a compreender o significado dos números dos relatórios .
4 \ tornar se impiedoso como se fosse um tecnocrata
5 \ aprender a linguagem dos conselhos de administracao

Ele devera promover uma revolução externa

1 \ convencer os acionistas e presidentes do conselho que a criatividade genuína e o planejamento a longo prazo são os únicos caminhos para uma lucratividade durável ,
2 \ convencer os acionistas e presidentes do conselho que so a qualidade traz o lucro duravel
3 \ conquistar a credibilidade e incutir confiança nos corredores de cima e de baixo
4 \ e finalmente convencer os acionistas e presidentes do conselho que os tecnocratas devem trabalhar para ele em vez dele trabalhar para eles

Para o “ small is beautiful “ continuar prosperando cada vez mais o líder criativo devera mergulhar no futuro inventando novos módulos de estratégias , novos modelos econômicos e novas maneiras de distribuir seu produto , utilizando para isto todas as oportunidades que a tecnologia cada vez mais veloz lhe oferecera…..Ele devera ser o precursor do amanha .

Os financeiros e tecnocratas trouxeram a crise econômica mundial na qual estamos vivendo e será a responsabilidade de cada um de vocês , futuros lideres criativos , que estão no inicio de suas carreiras , de se
tornar os revolucionarios que irao tirarnos fora deste imenso buraco negro .

Para terminar eu gostaria de desejar a vocês a mais bela sorte…e confesso que eu gostaria de ter uns 30 anos de idade… hoje… para estar , a seu lado , vencendo este fantástico desafio…

FONTE: gabrielpassajou.com